quarta-feira, 23 de abril de 2014

Saramago: «O poeta quando jovem»

Retrato do poeta quando jovem

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Onde brandas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

José Saramago, Os poemas possíveis, 5.ª ed., Caminho, Lisboa, 1999, p. 59           [1.ª ed: 1966]

quarta-feira, 2 de abril de 2014

BRANCO - Rosa (Maria Martelo)

[têm perguntado a S.: «então, já não invades QUAD.?»,  «a propor aqueles P.?»]
[tem respondido: «estou muito contido» ... [« e o resto não diz»]

[hoje, abriu uma excepção, no Quadrado de A. G. - de quem tanto [...] - 2 rapazes, 2, após anos de [...] - e escreveu na Tela, enquanto a Mestre procedia à AVAL, person., com o(a) INF (a) sentadinho à ilharga e tudo...]


Branco

Interessa-me o inconcreto branquejar
da roupa no estendal (o branco, não)

mais do que o peso da água, ver
que o nada não se vê na água a evaporar

na luz do tecido em contraluz interessa-me
o vazio suspenso do vazio
quando a roupa enforma ao vento e sobe
no arame, interessa o risco que sustém a louca nave,
os voos desabitados e a pequena hora de ninguém.

Rosa Maria Martelo, Relâmpago, n.º 31 / 32 [transcrito da p. 139 de Resumo - a poesia de 2013, fnac / documenta, 2014



«A P. da P.»

- é a mais agradável, a P. da P.;
- em dia [agora já GRANDE] de Sol e Chuva, desce-se ao CH;
- os ENVELOPES que esperem
[podem esperar]

- encontra-se aquela ou este - da COLH mais recente;
- levanta-se a cabeça, disfarça-se a falta de V;

Well