quinta-feira, 25 de maio de 2017

«os coitadinhos, os feios...» - Golgona Anghel

[é o quarto dia de Envelopes; como «Companhia», o quarto título de G. H.]

[este foi insc. num 1.º Bloco  - o de Mestre-Arq. J. P. - ontem, pelas 9 e 50]

Escreve sobre os coitadinhos, os feios,
os mal-amanhados.
Nas retretes das tardes da Júlia, 
por detrás dos anúncios de depilação e dos atentados,
estão eles. 
A servirem de decoração em salas de espera.
Uns de toga, outros de farda.
A viverem de biscates,
de dinheiro emprestado,
de roupa usada.
Acordam de joelhos.
Andam na pocilga.
Morrerão afogados em merda
mas serão recordados
eternamente
no mármore.


Golgona Anghel, Nadar na piscina dos pequenos, Assírio, 2017 (Maio), p. 27

[à tarde, antes do C. de DDT's:
- ó P., se calhar aquilo, de manhã, foi demasiado «Forte»...?
- qual quê, para aqueles, tudo é (...); não (ou)viste o COM. que aquele M.  fez à palavra M.?....»
[pois está bem, se assim é...]